O lixo que vira arte

Lugar de sucata é no ferro velho certo? Errado. Pelo menos é isso que afirma o mecânico e artesão José Alves da Silva, 42. Para ele, quase todas as peças encontradas nos ferros velhos de Fortaleza podem virar decoração.
Partes antigas de automóveis, bicicletas quebradas, ferramentas velhas, ferros retorcidos, pedaços de televisores e computadores e pneus sem a mínima condição de uso são os principais materiais utilizados pelo artista na confecção de seus artigos.
Segundo afirma, o talento foi descoberto ainda muito cedo e de forma completamente natural. “Descobri desde moço que tinha o dom para o negócio. Para esse trabalho utilizo apenas minha imaginação que, graças a Deus, até hoje, vem me servindo de sustento”, conta José.
Casado e com dois filhos, um dos quais com paralisia cerebral, o artesão garante que consegue ganhar um bom dinheiro com a feitura dos objetos. “As pessoas passam por aqui e gostam do que vêem. Os clientes acham tudo muito diferente, muito criativo”, diz.
Ao visitar o ateliê, que fica localizado em sua própria residência e também oficina, é possível se deparar com bonecos de todos os tamanhos e tipos; bicicletas em formato de animais – entre elas uma das mais queridas: a bicicabra; além de cobras, jacarés, passarinhos, corujas e, até mesmo, o mosquito da dengue, todos eles feitos com ferro e pintados à mão.
“Tenho muito orgulho do que eu faço e, além de tudo, tenho muito amor pelo que produzo”, revela José Alves. O processo de produção começa com a aquisição da matéria prima, a maior parte dela comprada em sucatas a preços bem populares.
O segundo e mais importante passo é colocar a criatividade a prova e começar a produção. “Posso até demorar na hora de pensar o que fazer com as coisas, no entanto, depois que a idéia vem à cabeça, tudo é feito com a máxima velocidade. Sou rápido no que faço e, no final, tudo fica bonito”, diz.
Com partes do motor de um carro e peças de uma antiga estante, o artista constrói artigos de decoração que encantam pessoas de todas as idades. De acordo com ele, porém, são as crianças que mais curiosidade e apreço têm pelos objetos prontos. “Elas são capazes de ficar horas e horas tentando descobrir como determinado aviãozinho ou como o boneco foram feitos. Os pais não ficam atrás, é claro, também são curiosos e adoram saber o que foi usado na construção”, brinca Alves.
Quando questionado sobre o preço das peças o artista afirma que tudo é muito variável. Na verdade, conforme ele, tudo vai de acordo com as necessidades financeiras do momento. “Se cobro R$ 100 por algo e o meu cliente só quer pagar R$ 70,00, se estiver precisando de dinheiro naquele instante, eu vendo sem problema”, conta.
Além de exportar para diversas cidades do Brasil – a exportação mais recente deve acontecer ainda este ano, já que a bicicabra estará indo para Teresina, no Piauí – a produção também é destinada a países como Itália, França, Espanha e Portugal.
O trabalho artesanal acontece o ano todo, já que em todas as festas comemorativas, entre elas: Natal, São João e Carnaval, o artista recebe visitantes interessados em comprar sua produção. “O São João desse ano foi uma festa, já que tive a oportunidade de decorar com meus bonecos diversas barraquinhas nos mais diferentes locais da cidade. E o carnaval vem aí não é?!”, assevera Alves.
Serviço: O ateliê fica localizado na Rua Neném Gonçalves Barreira, 290, no Cambeba. Telefone: (85) 3276.3466
TV Digital e o fim da “mera utopia”
Já pensou em poder participar de uma pesquisa interativa enquanto assiste a um jogo de futebol? Já pensou em poder consultar sua caixa de e-mails ou enviar uma mensagem instantânea enquanto assiste ao capítulo da novela? Isso, até pouco tempo atrás, poderia parecer mera utopia, entretanto, com a implantação da TV Digital, o “sonho” vai sim, virar realidade.
Imagem, enquadramento e som de alta definição e o poder de dominar, da forma que desejar, o controle remoto, são as principais apostas para a consolidação da TV Digital no Brasil. Um dos pontos principais da nova tecnologia diz respeito à interação que os telespectadores poderão ter com os conteúdos veiculados.
Ixi, perdi o último capítulo da minha novela preferida. E agora? Será que vou ter que procurar o resumo no jornal? Na na ni na não… A TV Digital te oferece esse tipo de serviço. Poxa, queria tanto saber um pouco sobre a vida desse ator. O que faço? Será que vou ter que procurar isso na internet? Também não, a TV Digital te oferece essa informação.
É justamente o fato de poder “brincar” com a tecnologia que encanta tantas pessoas. É justamente pelo fato de poder servir de playground para essas “crianças” que a TV Digital, a cada dia, ganha um número maior de curiosos que desejam, de todas as formas, entender seu funcionamento.
Apesar de todo esse “bafafá” em torno do conteúdo da TV Digital, é importante dizer que as emissoras ainda estão muito cautelosas. Uma das razões para isso, talvez, seja o fato de que nem todas as residências dispõem de aparelhos com conversores, outra razão, possivelmente, seja o fato de que os empresários do ramo têm noção dos enormes custos que esse tipo de mudança ocasionará, principalmente, no que diz respeito à contratação de profissionais capacitados.
Mas calma! Os adeptos das novas tecnologias não precisam ficar entristecidos, pois, apesar de toda a cautela, as emissoras estão, aos pouquinhos, aderindo à elas. Para se ter uma idéia, a partir de dezembro, as novelas “Duas Caras”, da Rede Globo, e “Dance, dance, dance”, da Bandeirantes, serão transmitidas em alta definição.
Então, daqui pra frente, é esperar para ver as cenas dos próximos capítulos. Ah, só para constar, tomara eu que esses capítulos possam ter um dedinho nosso não é?
Que realidade você prefere?
Ter a aparência dos sonhos, usufruir das mais modernas roupas e calçados, freqüentar os locais da moda e voar, isso mesmo, voar!!! Tudo isso é possível no Second Life, ambiente virtual e tridimensional, criado em 2003, para aproximar aspectos da vida real – nem sempre tão agradável – com a vida imaginária – pensada exatamente da maneira que o usuário desejar.
Por meio dos avatares, que são simulações visuais de indivíduos e ambientes, qualquer pessoa pode ganhar vida própria dentro do jogo. Não é à toa que é a “Segunda Vida”… No entanto, abro aqui um parêntese importante: apesar de ser a vida “idealizada”, o que se poderia pensar que somente coisas boas aconteciam, não é dessa maneira que funciona.
É comum marinheiros de primeira viagem serem surpreendidos com situações nem sempre muito agradáveis. Eu mesmo sou exemplo vivo, ou melhor, virtual disso. Logo que aderi à moda do Second Life cheguei a um local totalmente deserto, onde nada de interessante acontecia. Era simplesmente um espaço enorme, bem colorido e repleto de comércios, que nem vendedores tinham. Passado algum tempo e já tendo explorado todo o ambiente avistei a imagem de um homem e logo fui pedir informação. Decidi não revelar o avatar do “gaiatinho”, pois, se fizesse isso, me sentiria como se estivesse expondo a vida de alguém de carne e osso. Preferi deixar quieto…
Mostrando-se totalmente educado, perguntou se eu desejava conhecer o local “da galera”. Louca para sair de onde estava, pois o tédio já me consumia, decidi aceitar o convite. Muito gentil, o moço ainda me ofereceu carona. Pula essa parte, pois além do transporte ser feito no carro da polícia, ainda acho que o motorista não sabia distinguir volante de freio, mas tudo bem…
Logo que chegamos, ele olhou pra mim e disse: – Pois é, aqui estamos, agora só falta você me pagar o que deve, afinal, assim como na vida real, nada aqui é de graça. Ei ei ei, aquilo me chocou profundamente e, de cara, me fez ficar desencantada com as pessoas virtuais que eu nem mesmo havia ainda conhecido. Para piorar tudo, logo que parei e olhei ao redor, vi que estava num local assim… digamos… como posso dizer… suspeito, muito suspeito! Sabe aquele tipo de ambiente que as pessoas pagam por um “serviço”? Pois é, sem maiores comentários…
Logo que tive consciência de onde estava, comecei a perguntar para as pessoas que eu encontrei como eu fazia para sair dali. Uma alma bondosa, percebendo meu total desespero, me ensinou o tal do teletransporte. E foi assim que eu consegui ir embora daquele lugar.
Passado o susto, ou pelo menos o choque inicial, fui, aos pouquinhos, me familiarizando com o jogo. Atualmente, não posso dizer que sou uma apaixonada pelo SL, até mesmo, porque disponho de pouquíssimo tempo para ficar à frente do computador incrementando meu avatar, comprando roupas, tentando conseguir emprego, participando de eventos virtuais ou mesmo tentando descobrir melhores maneiras de voar. Minha vida real me consome muito, mas quer saber… Adoro minha realidade!
Vale a pena conferir alguns vídeos…
Notas curtas
Jornalista do futuro???
Luiz Nassif, Ricardo Noblat e Eliomar de Lima são alguns exemplos de jornalistas que trocaram as redações cheias e o dead line sempre pressionando o ato da escrita e, mais ainda, a apuração das informações, pela tranqüilidade de suas casas. Partindo do exemplo desses três profissionais (bem sucedidos, diga-se de passagem), surge uma inquietação: blogjornalismo é realmente o futuro do jornalismo? Para auxiliar esse processo de reflexão, Leonardo Fontes, do Blogueisso, faz uma contextualização dos blogs existentes atualmente e chama atenção para o fato de que mesmo os que são feitos por não diplomados, já se fortaleceram no ambiente midiático.
Ser ou não ser jornalista, eis a questão…
A discussão que se faz em torno da obrigatoriedade do diploma é modificada a cada dia. A Federação Nacional dos Jornalistas promove diversos debates sobre o tema, sempre chamando atenção para a importância da regulamentação da profissão. A razão para isso decorre do fato de que, com o fortalecimento do Jornalismo Cidadão, a maioria das pessoas, mesmo aquelas que nunca pisaram na Universidade, podem contribuir para o fazer jornalístico. Um dos exemplos mais claros disso ocorreu durante os atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, quando cidadãos comuns começaram a postar seus depoimentos em sites pessoais e acabaram, por esse motivo, servindo de fonte para importantes veículos de comunicação.
Quando começa mesmo hein?
Quando será que a Rede Globo, o SBT, a Rede Record, a Rede TV e a Rede Bandeirantes irão aderir de forma definitiva à TV Digital? Para responder a essas questões é importante, antes de tudo, ter em mente que os custos para a implantação dessa nova tecnologia não são baixos. As redes de televisão irão gastar, principalmente, na contratação de novos funcionários, profissionais capacitados, especificamente, para trabalhar a questão da TV Digital e de sua total interatividade com o público. Já pensou em assistir a um filme e, na mesma hora, ter acesso à biografia do ator principal? Já pensou em participar de uma pesquisa interativa durante um jogo de futebol? E saber o resumo de ontem do capítulo da novela que você não pôde assitir? E tudo isso usando apenas o controle remoto viu?! É, parece que a TV Digital vai realmente mudar o modo de ver televisão…
As surpresas do mundo virtual
Apesar de ser a “Segunda Vida” dita ideal, já que você pode ser quem você imaginar, o Second Life oferece alguns riscos. Assim como no mundo real, os habitantes do jogo, ou melhor, os avatares lá contidos, nem sempre são tão bonzinhos e prestativos assim. Cuidado ao aceitar uma carona, ou mesmo, tenha receio de pedir informações a quem não conhece direito. Dependendo de quem seja o informante, ele pode te levar a um lugar nem sempre muito agradável. Se você “visitar” uma favela, por exemplo, pode até mesmo comprar armas sabia? Como muitos dizem: os jogos, atualmente, estão realmente ultrapassando os muros do virtual e invadindo a nossa vida mais concentra, mais real, mais palpável.
Jornalismo Cidadão e Web 2.0
Com o advento da Web 2.0 podemos dizer que ocorreu uma ampliação da relação entre os jornalistas e o cidadão comum (entenda-se por cidadão comum não somente aqueles que não são jornalistas, mas os que não possuem formação específica para tal, ou seja, o tão discutido – e disputado diploma).
A esta tendência de estreitar relações damos o nome de Jornalismo Cidadão, Jornalismo Colaborativo, Jornalismo Open Source ou Jornalismo Participativo. O nome tanto faz, o que vale, realmente, é a definição.
Texto, imagem, som e vídeo produzidos por pessoas que não frequentaram uma faculdade de Comunicação Social e que, mesmo assim, ajudam jornalistas a enriquecer o fazer jornalístico. Pronto, eis a caracterização mais simples do Jornalismo Colaborativo.
Com esse tipo de procedimento a prática jornalística acabou se tornando mais maleável, já que qualquer um, sendo autor de bons conteúdos, pode contribuir para a elaboração de materiais maiores, muitas vezes, veiculados em importantes veículos midiáticos.
Outro ponto que merece destaque com essa nova tendência de jornalismo é a questão da liberdade. Com a Web 2.0 as matérias jornalísticas não mais necessitam ser engessadas, seguindo a risca determinadas normas da empresa. Jornalistas e colaboradores podem dar “cara própria” aos seus escritos.
Com essa mudança, ou melhor, com essa modernização, é comum ouvir comentários do tipo: parece que os textos estão mais leves / parece que as matérias estão mais próximas do público leitor – cabe aqui uma observação, as matérias realmente estão mais ligadas ao leitor e a razão está no fato dele, muitas vezes, ser responsável por parte do produto final.
Para entender um pouco mais vale a pena assistir ao vídeo
Blogjornalismo. O futuro do jornalismo???
Sempre haverá discussão a respeito de blog jornalismo ser ou não jornalismo. Mais importante do que se ater a esse tipo de preocupação, acredito ser, observar que tipos de benefícios essa ferramenta comunicacional pode nos trazer. Em meados dos anos 2000, o “boom” dos diários eletrônicos ganhou grande impulso.
Várias são as características que permeiam esse novo (que hoje em dia não é mais tão novo…) tipo de mídia. Uma das principais delas é o fato de que os usuários são espécies de donos daquele espaço, já que tem total liberdade para modificar os conteúdos postados. Outro ponto interessante é a questão da hipertextualidade. Os blogueiros, como assim são conhecidos, utilizam-se de vários outros textos, mesmo que pequenos fragmentos, para formular o produto final.
Outro fato que faz referência a essa característica é que cada informação conecta o leitor a outra informação e assim o processo continua, até que toda a matéria tenha sido lida. Acredito, no entanto, que a característica mais marcante seja a rapidez na divulgação das informações.
Muitos jornalistas, que migraram das redações para suas residências (já que grande parte deles trabalha em casa) divulgam as informações quase que em tempo real, já que o trabalho deles é justamente isso, divulgar tudo, de preferência, em primeira mão.
Voltando um pouco a questão inicial, faço aqui uma pergunta: O jornalismo impresso convive muito bem com a televisão, o rádio e por que não haveria de “aceitar” a questão dos blogs? Jornalismo é jornalismo em qualquer que seja a mídia. O que devemos fazer é nos distanciar dos preconceitos e aceitar que blog, desde que o espaço seja bem aproveitado, é sim um importante mecanismo de informação jornalística.
Abaixo algumas dicas de blogs que PODEM SIM ser considerados JORNALÍSTICOS:
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/forum/Default.aspx
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/
http://blogdomino.blig.ig.com.br/
Ah, e para melhor contextualizar, vale a pena conferir o vídeo…
